O convite chegou num envelope dourado.
Papel espesso, caligrafia elegante, nenhum remetente identificado.
“Está convidada para o Baile de Máscaras da Noite de Carnaval. Palácio dos Condes, Lisboa. 23h00. Traje: máscaras obrigatórias, elegância essencial, inibições deixadas à porta.”
Ana virou o cartão várias vezes nas mãos. Tinha 34 anos e nunca tinha recebido um convite como aquele. Nem sequer sabia quem o tinha enviado. Mas algo naquelas palavras (inibições deixadas à porta) fez o seu coração acelerar.
Três dias depois, estava diante do espelho do seu quarto, quase irreconhecível. O vestido vermelho que tinha comprado especialmente para a ocasião abraçava-lhe as curvas de forma obscena. Decote que revelava mais do que escondia. Fenda lateral que subia até a metade da coxa. E a máscara veneziana, com penas negras, cristais que cintilavam, cobrindo-lhe metade do rosto, mas deixando os olhos e a boca expostos.
Sentia-se poderosa.
Sentia-se perigosa.
Sentia-se como alguém completamente diferente.
O táxi deixou-a em frente a um palácio do século XVIII no coração do Bairro Alto. A fachada iluminada por tochas. Música que escapava pelas janelas abertas… algo entre clássico e electrónico, hipnótico e sensual.
À porta, um homem de smoking e máscara dourada pediu-lhe o convite. Examinou-o, acenou com a cabeça, e abriu a porta.
O que Ana viu dentro roubou-lhe o fôlego.
O salão principal estava transformado num cenário de fantasia. Candelabros enormes pendiam do tecto. Cortinas de veludo vermelho e dourado nas paredes. E pessoas (dezenas delas) todas mascaradas, todas vestidas como se tivessem saído de um sonho erótico barroco.
Mulheres em vestidos que mal cobriam seja o que fosse. Homens em smokings perfeitamente talhados ou em trajes de época. Algumas pessoas usavam máscaras que cobriam o rosto completo. Outras, como a Ana, mostravam a boca.
Havia algo no ar. Uma electricidade. Uma promessa.
A Ana aceitou uma taça de champanhe de uma bandeja que passava e observou. Havia pequenos grupos a conversar. Casais a dançar de forma que era mais sexo vertical do que dança. E depois… havia as salas laterais.
Através das portas parcialmente abertas, a Ana vislumbrou cenas que a fizeram apertar as pernas. Um homem encostado a uma parede com uma mulher de joelhos diante dele. Duas mulheres a beijarem-se num sofá enquanto um homem as observava. Algo que envolvia cordas e uma mulher amarrada de forma artística.
“Primeira vez num baile destes?”
Ana virou-se. A voz pertencia a um homem alto, de ombros largos e de smoking impecável. A máscara dele era prata e preta, a cobrir-lhe todo o rosto exceto os olhos (verde escuro, intensos ) e a boca… lábios bem desenhados que agora sorriam.
“É assim tão óbvio?”
“Tens aquele olhar de quem está simultaneamente assustada e fascinada.” Ele aproximou-se mais. Ana conseguia sentir o calor do corpo dele. “Qual dos dois está a ganhar?”
Ana bebeu mais champanhe. A máscara dava-lhe coragem. Aqui, ela não era a Ana, a gestora de projectos. Era quem quisesse ser.
“A fascinação”, disse, a manter o olhar dele.
O sorriso dele alargou-se. “Óptimo. Então deixa-me fazer-te uma tour.”

Ele não disse o nome. Ela não disse o dela. Essa era a beleza dos bailes de máscaras. As identidades ficavam à porta junto com as inibições.
Ele levou-a pela mão através dos vários salões do palácio. Cada espaço tinha uma atmosfera diferente.
O salão principal era para dançar e socializar. Ainda relativamente inocente, embora os corpos se movessem de formas que deixavam pouco à imaginação.
A biblioteca tinha sido transformada em lounge. Sofás profundos onde grupos de três, quatro, cinco pessoas se entrelaçavam. Ana viu um homem com duas mulheres, uma de cada lado, as mãos dele a explorarem os corpos delas enquanto conversavam casualmente com outro casal.
“Podes observar quanto quiseres”, disse ele perto do ouvido dela. “Podes participar se quiseres. Ou podes simplesmente… sentir a energia.”
Desceram uma escadaria para o piso inferior. Aqui, a luz era mais suave, mais vermelha.
A música mais profunda, mais ritmada. E as salas…
“Este é o piso da exploração”, explicou ele. “Cada sala tem um tema diferente. Entras apenas se quiseres. Ninguém te obriga a nada.”
Ele mostrou-lhe. Uma sala com equipamento BDSM: cruzes, bancos, chicotes organizados com cuidado artístico. Dentro, uma mulher estava amarrada enquanto um homem passava gelo pelo corpo nu dela. Os gemidos dela eram audíveis mesmo com a porta entreaberta.
Outra sala tinha sido transformada em harém, com almofadas por todo o lado, véus, incenso. Um grupo de pessoas numa configuração que a Ana não conseguiu decifrar completamente, mas que claramente envolvia prazer mútuo.
Uma sala mais pequena tinha apenas um sofá e luz muito tenue. “Sala de voyeurismo“, explicou ele. “Para quem gosta de observar ou ser observado.”
Ana sentia-se cada vez mais quente. O champanhe, o ambiente, a proximidade dele, o cheiro da pele dele misturado com algo amadeirado… tudo contribuía para uma excitação que crescia.
“E tu?” perguntou ela, surpreendendo-se com a ousadia na própria voz. “O que gostas de fazer nestes bailes?”
Ele parou. Virou-se completamente para ela. Uma mão subiu e tocou-lhe o rosto, dedos a traçarem a linha da máscara dela.
“Gosto de encontrar mulheres bonitas que estão prontas para se soltarem completamente. Mulheres que chegam com curiosidade e vão-se embora… transformadas.”
O polegar dele passou-lhe pelos lábios. Ana abriu a boca instintivamente, deixou que o dedo deslizasse para dentro. Chupou, mantendo os olhos fixos nos dele.
A respiração dele alterou-se. “Queres ser transformada?”
Ana soltou o dedo dele. “Quero.”
Ele levou-a para uma das salas privadas no segundo piso.
Mais pequenas, mais íntimas, com fechaduras nas portas para quem quisesse privacidade completa.
Esta sala tinha uma cama enorme coberta com lençóis de seda, espelhos nas paredes, luz que podia ser ajustada. E era só deles.
Ele fechou a porta, mas não trancou. “Alguém pode entrar”, disse. “A não ser que queiras trancar.”
O coração de Ana batia tão forte que tinha certeza que ele conseguia ouvir. Ser vista. Ser observada. A ideia deveria assustá-la. Em vez disso, excitava-a ainda mais.
“Deixa aberta”, disse.
O sorriso dele era predatório. “Boa miúda.”
Ele aproximou-se devagar. As mãos dele encontraram a fenda do vestido dela, dedos a deslizarem pela coxa exposta. Ana arfou.
“Sabes o que me excita nestes bailes?” murmurou ele, a boca contra o pescoço dela. “Ver mulheres como tu (elegantes, controladas, respeitáveis lá fora) a perderem completamente o controlo aqui dentro.”
Os dedos dele subiram mais, encontraram a ausência de roupa interior (Ana tinha decidido, num momento de coragem enquanto se vestia, não usar). Ele riu baixinho.
“Vieste preparada.”
“Vim com esperança.”
Ele puxou-a contra si. Ana sentiu a erecção dele através das calças. Dura. Grande. Promissora. As mãos dele subiram pelas costas dela, encontraram o fecho do vestido, desceram-no devagar. O vestido vermelho caiu ao chão. Ana ficou ali, apenas com a máscara e os saltos altos, completamente exposta.
Os olhos dele percorreram cada centímetro. “Perfeita.”
Ele empurrou-a gentilmente para a cama. Ana caiu de costas sobre a seda. Ele ficou de pé por um momento, apenas a olhar, e depois começou a despir-se.
O smoking foi removido com cuidado. Revelando um corpo que fez Ana molhar os lábios. Musculado, mas não excessivamente. Pele bronzeada. Pénis erecto, circuncidado, impressionante.
Mas a máscara ficou. Tal como a dela.
“Quero-te ver a vir sem saber quem sou”, disse ele, a subir para a cama. “Quero que grites sem saber o nome que estás a gritar.”
Ana não conseguiu responder porque a boca dele estava entre as pernas dela.
A língua dele era obra de arte. Sabia exatamente onde lamber, quanto de pressão aplicar, quando mudar de ritmo. Ana agarrou os lençóis, arqueou as costas, não se conteve nos sons que saíam da garganta.
Através dos olhos semicerrados, viu a porta abrir-se ligeiramente. Alguém estava a espreitar. A observar.
E isso empurrou-a sobre o limite.
O orgasmo atingiu-a com uma força que a deixou sem ar. O corpo inteiro a tremer. As pernas a apertarem a cabeça dele. Sons que não sabia que conseguia fazer a ecoarem pela sala.
Ele não parou. Continuou a lamber, a chupar, levando-a de um orgasmo directamente para outro. Ana estava a perder a noção de onde terminava e começava, de quanto tempo tinha passado, de tudo excepto aquela boca e aqueles dedos que agora entravam nela, curvando-se para encontrar o ponto exacto que a fazia ver estrelas.
Quando finalmente parou e subiu o corpo, Ana estava trémula, suada, completamente destruída no melhor sentido possível.
“Ainda queres mais?” perguntou ele, o pénis dele já na entrada dela, provocando mas não entrando.
“Tudo”, conseguiu Ana dizer. “Quero tudo.”
Ele entrou numa estocada. Profundo. Duro. Ana gritou.
E alguém aplaudiu da porta.
Ana virou a cabeça. Havia agora três pessoas a observar. Duas mulheres e um homem, todos mascarados, todos claramente excitados pelo espectáculo.
Em vez de vergonha, Ana sentiu poder. Estava a ser vista. Desejada. Admirada enquanto era fodida com uma intensidade que nunca tinha experimentado.
Ele estabeleceu um ritmo brutal. Mãos a agarrarem as ancas dela, puxando-a cada vez mais contra cada estocada. A cama a bater contra a parede. Ana encontrou-se a empurrar de volta, a querer mais, mais profundo, mais forte.
“Toca-te”, ordenou ele. “Quero que acabes comigo dentro de ti.”
Ana levou a mão ao clitóris. Começou a esfregar em círculos rápidos. A combinação de ele dentro dela, os dedos dela no clitóris, e os olhos da audiência sobre eles era demasiado.
Gritou quando veio, o corpo inteiro a contrair-se à volta dele. Sentiu-o endurecer ainda mais, ouviu-o gemer, sentiu-o pulsar enquanto acabava dentro dela.
Ficaram assim por momentos. Ofegantes. Suados. Ainda conectados.
A audiência dispersou-se, procurando os seus próprios prazeres.
Mais tarde (a Ana não sabia quanto tempo depois) estavam ambos vestidos novamente. As máscaras ainda no lugar.
“Isto acontece todas as semanas?” perguntou ela.
“Uma vez por mês”, respondeu ele. “Sempre na lua cheia.”
“Vais estar no próximo?”
Ele sorriu. Passou um cartão para a mão dela. Dourado, igual ao convite original.
“Se quiseres voltar, mostra isto à porta.”
Ana guardou-o. Sabia que voltaria. Sabia que tinha encontrado algo aqui. Uma versão dela mesma que tinha estado adormecida durante demasiado tempo.
Saiu do palácio às 4h da manhã. Lisboa estava a acordar. O Carnaval continuava nas ruas, com foliões fantasiados e bêbados.
Mas nenhuma fantasia na rua comparava-se ao que tinha experimentado naquele palácio.
A Ana retirou a máscara apenas quando chegou a casa. Olhou-se ao espelho. Ainda era ela. Mas também era outra pessoa.
E a próxima lua cheia não podia chegar rápido demais.
FAQ – Sobre Festas Eróticas e Baile de Máscaras no Carnaval
Existem realmente Baile de Máscaras como estas em Portugal?
Sim. Embora talvez não tão elaboradas quanto descritas no conto, existem festas privadas, eventos libertinos e clubes onde adultos consensuais exploram a sexualidade. São discretos, geralmente por convite, e mantêm regras estritas de consentimento e de privacidade. Procure comunidades online ou clubes de swing que, ocasionalmente, organizam eventos temáticos.
Como posso ser convidado para este tipo de eventos?
A integração na comunidade libertina/swing é o caminho mais comum. Frequentar clubes estabelecidos, conectar-se com pessoas através de plataformas como FetLife, ou ser recomendado por alguém que já frequenta. Eventos verdadeiramente exclusivos requerem vouching, ou seja, alguém que já seja membro garantir por si.
O que é etiqueta apropriada nestas festas?
Consentimento acima de tudo. Nunca toque sem permissão explícita. Respeite o “não” imediatamente. Discrição total sobre identidades e o que viram. Se há código de vestuário, sigam-no. Higiene impecável. E compreenda que observar é permitido em áreas públicas, mas participar requer convite.
É seguro ir sozinha a uma festa destas sendo mulher?
Festas bem organizadas têm segurança e regras estritas que protegem todos, especialmente as mulheres. No entanto, a primeira vez é sempre melhor ir acompanhada ou conhecer primeiro os organizadores num contexto mais neutro. Nunca vá a eventos organizados por pessoas sem reputação verificável. Confie nos instintos. Se algo parece errado, saia.
E se eu não quiser participar, só observar?
Perfeitamente aceitável. Muitas pessoas vão apenas para observar e absorver a energia. Festas respeitáveis têm zonas claramente definidas: áreas sociais onde a interação sexual não ocorre e áreas de jogo onde ocorre. Podem ficar apenas nas sociais ou observar de longe nas outras. Ninguém vos pode pressionar a participar.
Fantasias Merecem Ser Vividas
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As fantasias que guardamos podem ser ainda mais incríveis quando finalmente as vivemos. 🔥


















