Estava a tomar café com a Marta, uma amiga de longa data, quando ela soltou a bomba.
“O Ricardo e eu experimentámos algemas no fim de semana passado.”
Quase cuspi o café. A Marta. A professora primária. A mulher que usa cardigans e faz bolos para os vizinhos. Algemas.
“E?” consegui perguntar quando recuperei a compostura.
O sorriso dela foi resposta suficiente. “Incrível. Completamente diferente. Nem sei porque demorámos tanto tempo a tentar.”
Aquela conversa ficou-me na cabeça. Quantos casais têm curiosidades secretas que nunca exploram? Quantas fantasias de fetiches de casais ficam guardadas por vergonha, por medo de julgamento ou simplesmente por não saberem como começar?
Decidi investigar. Conversei com dezenas de casais, li estudos sobre sexualidade e descobri que os fetiches mais comuns entre casais são muito mais… comuns do que imaginamos. E também muito mais acessíveis de explorar do que a maioria pensa.
Aqui estão os dez fetiches que mais casais confessaram querer experimentar (e muitos já experimentaram com sucesso).
1. Bondage Leve – Amarrar e Ser Amarrado
Este é disparado, o fetiche mais popular entre casais. E quando digo bondage, não estou a falar de suspensões japonesas complexas. Estou a falar de amarrar os pulsos do parceiro à cabeceira da cama com uma gravata de seda.
Porque funciona:
Há algo profundamente excitante em estar completamente à mercê de alguém em quem confiamos. Ou, por outro lado, em ter controlo total sobre o prazer do parceiro. É um jogo de poder, mas seguro e consensual.
A Catarina, 38 anos, contou-me: “A primeira vez que o meu marido me amarrou, senti-me estranhamente livre. Parece contraditório, mas não ter que fazer nada, apenas receber, foi libertador.”
Como começar:
Não precisa de equipamento especializado. Uma gravata, um lenço de seda ou até os cordões de um roupão funcionam perfeitamente. Comece por amarrar apenas os pulsos, sem apertá-los demais, e estabeleça uma palavra de segurança (como “vermelho” para parar).
A parceira amarrada fica deitada e apenas recebe prazer. Beijos lentos, carícias, sexo oral, tudo sem poder tocar de volta. A frustração deliciosa de não poder tocar faz parte da excitação.
Nível de dificuldade: Muito fácil.
Investimento: 0€ (usem o que têm em casa)
Factor de vergonha: Baixo – é quase mainstream.
2. Sexo com Roupa/Despir Lento
Pode parecer estranho chamar isto de “fetiche”, mas, para muitos casais que estão juntos há anos, o sexo tornou-se uma rotina em que ambos se despem rapidamente e vão directo ao assunto.
Há uma magia perdida em ser despido lentamente. Em manter alguma roupa durante o acto. Em rasgar (metaforicamente) a roupa um do outro.
Porque funciona:
Antecipação. Ver o corpo do parceiro ser revelado devagar, peça por peça, reconstrói o desejo que existia no início da relação. Há também algo primitivo e urgente em sexo parcialmente vestido… como se não conseguissem esperar para se despirem completamente.
O Pedro confessou-me: “A primeira vez que fodemos com a minha mulher ainda de saltos altos e vestido puxado para cima, senti-me com 20 anos outra vez. Era urgente, não planeado, quente.”
Como começar:
Marque um “encontro” em casa. Vistam-se como se fossem sair. Ela com vestido sexy, ele com camisa e calças boas. Quando chegarem ao sexo, não se dispam por completo. Puxem a roupa para o lado. Deixem os sapatos. Desabotoem apenas o necessário.
Ou façam o oposto – desçam lentamente o fecho do vestido dela. Desabotoem a camisa dele botão por botão enquanto se beijam. Transformem o despir em preliminares.
Nível de dificuldade: Muito fácil.
Investimento: 0€.
Factor de vergonha: Zero.
3. Voyeurismo e Exibicionismo – Ver e Ser Visto

Antes que pensem em coisas ilegais, não estou a falar de espiar os vizinhos ou de expor-se em público. Estou a falar de sexo diante de um espelho, gravar vídeos privados um do outro, ou fazer sexo com cortinas abertas (num andar alto onde ninguém realmente vê, mas há a ilusão de risco).
Porque funciona:
Ver-se durante o sexo é incrivelmente excitante. Muitos de nós nunca vimos realmente como somos durante o acto. E há algo no “risco” de ser visto que aumenta a adrenalina e a excitação.
A Sofia partilhou: “Instalámos um espelho grande ao lado da cama. Poder ver o que ele está a fazer enquanto estou de quatro mudou completamente a experiência. É visual e físico ao mesmo tempo.”
Como começar:
Espelho: Coloque um espelho grande no quarto ou faça sexo diante do espelho da casa de banho.
Gravação: Use o telemóvel para gravar (certifique-se de onde guarda esses vídeos por segurança). Não precisa ser profissional, pois o amadorismo faz parte do charme.
Cortinas abertas: Se vivem num andar alto, experimente sexo com as cortinas abertas à noite. A possibilidade teórica de alguém ver (mesmo que seja improvável) acrescenta excitação.
Nível de dificuldade: Fácil.
Investimento: 0-100€. (espelho se não tiverem)
Factor de vergonha: Médio.
4. Role-Play – Fingir Ser Outras Pessoas
Médico e paciente. Professor e aluna. Estranhos que se encontram num bar. Chefe e empregada. As possibilidades são infinitas.
Porque funciona:
Role-play permite explorar dinâmicas de poder, fantasias ou simplesmente ser outra pessoa por uma noite. Tira a pressão de serem “vocês mesmos” e permite experimentar comportamentos que normalmente não teriam.
A Helena riu-se quando me contou: “Fingimos que éramos estranhos. Encontrámo-nos num hotel. Ele fingiu ser um executivo em viagem de negócios. Eu era a mulher no bar. Foi ridículo e hilariante mas também super excitante.”
Como começar:
Conversem sobre que cenários vos excitam. Não precisam de figurinos elaborados no início – a imaginação faz a maior parte do trabalho.
Cenários fáceis para iniciantes:
- Estranhos num bar (encontram-se num café como se não se conhecessem)
- Massagista e cliente (um dá massagem “profissional” ao outro)
- Encontro romântico de primeira vez (fingem que é o primeiro encontro)
Estabeleçam que permanecem “em personagem” por um tempo definido. Usem nomes diferentes se ajudar. Divirtam-se com isso – pode (e deve) ter momentos hilariantes.
Nível de dificuldade: Médio.
Investimento: 0-50€ (adereços opcionais)
Factor de vergonha: Médio-alto (requer alguma desinibição)
5. Brinquedos Sexuais – Para Ambos

Isto vai muito além de vibradores. Estou a falar de anéis penianos, plugs anais, bolas Ben Wa, masturbadores masculinos, vibradores com controlo remoto e muito mais.
Porque funciona:
Brinquedos não são competição, mas sim amplificadores. Adicionam sensações que dedos, línguas e genitais sozinhos não conseguem criar. E podem ser usados em ambos, não apenas nela.
O Tiago admitiu: “Quando a minha companheira sugeriu usar um anel peniano vibratório, fiquei defensivo. Pensava que significava que não era suficiente. Mas quando experimentámos… caralho. Foi bom para mim também. Mais intenso. Durei mais. Ela adorou.”
Como começar:
Vão juntos a uma sex shop (online se a física intimidar). Escolham algo básico para começar:
- Para ela: Vibrador de tamanho médio ou bullet vibrator pequeno.
- Para ele: Anel peniano vibratório ou masturbador.
- Para ambos: Óleo de massagem aquecível ou plug anal pequeno.
Introduzam um brinquedo de cada vez. Usem primeiro durante os preliminares, não necessariamente durante a penetração. Aprendam juntos como funciona.
Nível de dificuldade: Fácil.
Investimento: 20-100€.
Factor de vergonha: Baixo. (cada vez mais normalizado)
6. Dominação e Submissão – Jogos de Poder
Não estou a falar de BDSM hardcore com masmorras e equipamento especializado. Estou a falar de jogos simples de poder onde um manda e o outro obedece durante o sexo.
Porque funciona:
Na vida quotidiana, muitos de nós temos que estar sempre no controlo ou sempre a seguir ordens. No sexo, inverter ou intensificar essas dinâmicas pode ser libertador. Alguém que é sempre decisivo no trabalho pode adorar ser submisso na cama. Alguém tímido pode descobrir prazer em dominar.
A Beatriz confessou baixinho: “Sou gestora. Tomo decisões o dia todo. Na cama, adoro quando o meu marido me diz exactamente o que fazer. ‘Ajoelha-te’, ‘fica quieta’, ‘não acabes até eu deixar’. É… libertador não ter que pensar.”
Como começar:
Conversem sobre quem quer experimentar qual papel. Estabeleçam palavras de segurança. Comecem com comandos simples durante o sexo:
Exemplos de dominação leve:
- “Mantém as mãos acima da cabeça”
- “Não te mexas”
- “Pede permissão para acabar”
- “Mostra-me como tocas a ti própria”
O dominante controla a posição, o ritmo, quando o parceiro pode tocar ou acabar. O submisso obedece e entrega controlo.
Depois da sessão, conversem sobre o que funcionou e o que não funcionou.
Nível de dificuldade: Médio.
Investimento: 0€.
Factor de vergonha: Médio.
7. Sexo Anal – A Fronteira Final
Continua a ser tabu para muitos casais, mas é cada vez mais comum. E não, não estou a falar apenas de penetração anal feminina – homens têm próstata, que pode proporcionar orgasmos intensíssimos quando estimulada.
Porque funciona:
É diferente. A sensação é mais intensa, mais “proibida”, mais íntima de certa forma. Para ela, pode haver estimulação indireta do ponto G. Para ele, estimulação prostática é… reveladora.
O Miguel foi honesto: “A primeira vez que a minha namorada usou um dedo durante sexo oral, tive o orgasmo mais intenso da minha vida. Estava relutante, achava que não era ‘masculino’. Mas esquece – não há nada como aquilo.”
Como começar:
Nunca, jamais: Tentem sem preparação adequada. Resultará em dor e numa má experiência.
Progressão correcta:
- Massagem externa da zona durante outras actividades sexuais.
- Um dedo (bem lubrificado) durante sexo oral ou masturbação.
- Pequeno plug anal ou vibrador anal pequeno.
- Progressão gradual para brinquedos maiores ou para penetração peniana.
Usem MUITO lubrificante (o ânus não se lubrifica sozinho). Comecem devagar. Parem se dói. E lembrem-se: não é uma corrida. Podem demorar semanas ou meses para progredir confortavelmente.
Nível de dificuldade: Médio-difícil.
Investimento: 15-50€ (lubrificante específico + plug pequeno)
Factor de vergonha: Alto para muitos.
8. Sexo em Locais Diferentes – Fora do Quarto
Cozinha. Duche. Sofá. Carro (estacionado em local privado). Escritório em casa. Hotel. A variedade de locais adiciona novidade e excitação.
Porque funciona:
Contexto influencia experiência. Sexo no mesmo local, da mesma forma, torna-se previsível. Mudar de cenário força a criatividade e acrescenta um elemento de novidade e até de risco (se for em local semipúblico, como num carro).
A Rita contou a rir: “Fizemos no elevador do prédio dele. Apenas entre dois andares, muito rápido, mas foi intensíssimo. A possibilidade de alguém chamar o elevador… adrenalina pura.”
Como começar em locais seguros para principiantes:
- Cozinha ao pequeno-almoço. (sexo rápido antes do trabalho)
- Duche juntos. (com tapete antiderrapante por segurança)
- Sofá durante filme.
- Quarto de hotel. (mesmo que seja na vossa cidade)
Nível de dificuldade: Fácil.
Investimento: 0-100€. (quarto de hotel)
Factor de vergonha: Baixo.
9. Dirty Talk – Palavras Durante o Sexo
Falar durante o sexo. Dizer o que querem. Descrever o que estão a sentir. Usar palavrões. Contar fantasias.
Porque funciona:
A maioria dos casais faz sexo em silêncio ou com sons genéricos. Adicionar palavras (especialmente palavras explícitas ou sujas) activa zonas do cérebro diferentes e intensifica a excitação.
O André admitiu, com alguma vergonha: “Sempre achei dirty talk ridículo até a minha mulher começar a descrever em detalhes o que queria que eu lhe fizesse. Fiquei duro instantaneamente. Palavras funcionam.”
Como começar:
Se sentem vergonha, comecem com frases simples durante o sexo:
- “Isso sabe tão bem”.
- “Gosto quando fazes [X]”
- “Quero-te tanto”
Progridam para mais explícito:
- “Fode-me mais forte.”
- “Adoro sentir-te dentro de mim.”
- “Vou gozar.”
E se quiserem ir longe:
- Descrevam fantasias enquanto fazem sexo.
- Digam exatamente o que querem que o parceiro faça.
- Usem palavrões deliberadamente.
A chave é a autenticidade. Se não soa natural, não façam. Mas experimentem, pois podem surpreender-se.
Nível de dificuldade: Médio. (requer vencer vergonha)
Investimento: 0€.
Factor de vergonha: Alto inicialmente.
10. Introdução de Terceira Pessoa – Ménage à Trois
Este é o mais complexo e controverso, mas também um dos mais fantasiados. E não, não têm que ir direto para sexo a três completo.
Porque funciona:
Novidade. Variedade. Ver o parceiro com outra pessoa. Ser desejado por múltiplas pessoas simultaneamente. As razões variam, mas a fantasia é extremamente comum.
A Inês foi cautelosa ao partilhar: “Nunca faríamos com alguém que conhecemos. Mas numa viagem, num hotel, com uma profissional que contratámos? Foi… incrível. Saiu da fantasia e tornou-se memória real que partilhamos.”
Como começar:
Não comecem com: Convidar amigo ou amiga. Isto causa drama.
Comecem com:
- Conversação: Falem sobre a fantasia durante o sexo sem realmente fazer.
- Pornografia: Vejam conteúdo deste tipo juntos e discutam o que vos excita.
- Brinquedos: Usem vibrador ou dildo para “simular” uma terceira pessoa.
- Apps: Explorem apps de swing para perceber se realmente querem.
- Profissional: Se decidirem experimentar, considerem contratar uma acompanhante profissional que lida com casais
CRUCIAL: Ambos têm que estar 100% confortáveis. Se um tem dúvidas, não façam. E estabeleçam regras muito claras antes, durante e depois.
Nível de dificuldade: Muito difícil.
Investimento: 0€ (fantasia) a centenas ou milhar de euros (profissional)
Factor de vergonha: Muito alto.
Factor de risco para a relação: Alto se não comunicarem bem.
Como Introduzir Fetiches de Casais na Relação
Identificou algo nesta lista que querem experimentar?
Aqui está como introduzir o tema sem gerar constrangimento.
- Contextualize
Não diga, do nada, “quero que me amarres à cama”. Crie contexto. “Li um artigo interessante sobre casais que experimentam coisas novas na cama. Existiam umas ideias interessantes.” - Use uma terceira pessoa inicialmente
“Um amigo meu contou que experimentou [X] com a namorada. Fiquei curioso sobre o que acharias disso.”
Isto remove a pressão e permite que a parceira partilhe a opinião sem se sentir pressionada. - Partilhe fantasias de forma gradual
Não descarregue todas as suas fantasias de uma só vez. Introduza uma de cada vez. Veja como reage. - Enfatize que é exploração em conjunto
“Gostava de explorarmos isto juntos, para ver se gostamos. Se não gostarmos, não repetimos.” - Ouça os limites da parceira
Se diz não a algo, respeite. Não insista. Não faça pressão. Limites são limites.
FAQ – Perguntas Frequentes Sobre Fetiches de Casais
É normal ter fetiches mesmo numa relação feliz?
Completamente normal! Fetiches e fantasias não significam que algo esteja errado na relação ou que a parceira não seja suficiente. São simplesmente formas de adicionar variedade, excitação e novidade. Estudos mostram que casais que exploram fantasias juntos relatam uma maior satisfação sexual e relacional.
E se a minha parceira recusar-se a experimentar o meu fetiche?
Respeite os limites. Ninguém é obrigado a fazer nada sexualmente que não queira. No entanto, pode perguntar as razões, dado que, às vezes, o medo ou a vergonha podem ser trabalhados através de conversação e reasseguramento. Se for limite firme, respeite-o e encontre outras formas de manter a vida sexual excitante.
Tenho que experimentar tudo de uma vez?
Claro que não! Introduza um fetiche ou uma fantasia a cada vez. Experimente várias vezes antes de adicionar outro. Demasiadas mudanças simultâneas são overwhelming e tira o prazer da exploração.
Como superar a vergonha de partilhar fetiches com a parceira?
Comece com fantasias mais “mainstream” e prossiga gradualmente para as mais específicas. Use álcool com moderação (um copo de vinho) para reduzir inibições iniciais. Escreva numa carta se falar é muito difícil. E lembre-se: a parceira provavelmente também tem fantasias secretas.
E se experimentarmos algo e não gostarmos?
Não há problema! Nem todas as fantasias funcionam na prática. Experimente uma ou duas vezes (por vezes, a primeira tentativa é estranha, mas a segunda é melhor) e, se realmente não funcionar, risque da lista e tente outra coisa. O importante é explorar sem julgamento.
Gostou desta lista de fetiches de casais?
Partilhe com a sua parceira e talvez descubra novas formas de se conectarem.
A sexualidade é uma viagem de exploração contínua, e os melhores companheiros de viagem são aqueles que exploram connosco. 💕


















